segunda-feira, 12 de outubro de 2020

A diferença entre investidores e especuladores

 Nos últimos meses, em razão de vários fatores – entre eles a pandemia da Covid-19 e a queda da taxa Selic –, temos percebido um forte aumento no número de pessoas físicas na bolsa.

No último boletim divulgado pela B3, referente ao mês de setembro, mais de 3 milhões de CPFs estavam na bolsa de valores. Esse valor é quase o dobro do 1,68 milhão que havia no fim do ano passado e seis vezes maior que os 500 mil de 2017.

O fato é que, desses 3 milhões atuais, uma parcela é de investidores; outra, de especuladores. No livro Margin of Safety, do grande investidor Seth Klarman, o autor aponta que o primeiro passo para alcançar o sucesso nos investimentos é entender a diferença entre essas duas categorias.

Nesse sentido, os investidores seriam aqueles que acreditam que as ações são uma fração de uma companhia, um “pedaço do negócio”, enquanto os títulos representariam empréstimos a essas empresas. Dessa maneira, investidores tomam decisões de compra e venda de ações com base no preço em que a companhia é negociada em comparação com sua percepção de valor dela.

Além disso, os investidores compram ações quando acreditam que elas podem oferecer um retorno razoável a partir de certo risco incorrido – e as vendem quando o risco não vale mais a pena.

Uma característica muito importante dos investidores é acreditar que, no longo prazo, o preço das ações tende a refletir o desempenho, nos aspectos fundamentais, das companhias. Ou seja, a performance de receitas, lucros e rentabilidade ditaria o preço das ações da empresa.

Do outro lado, temos os especuladores. Ao contrário dos investidores, eles pautam sua decisão na previsão de queda ou subida no preço das ações com base no comportamento do mercado. Por isso, segundo Klarman, os especuladores detêm ações como um mero pedaço de papel que pode ser trocado, sendo indiferentes aos aspectos fundamentais do investimento.

Dessa forma, os especuladores são obcecados por previsões da direção do preço das ações, de modo que muitos deles recorrem à análise técnica, que utiliza as flutuações passadas da ação como guia.

De acordo com Klarman, a análise técnica pressupõe que a performance passada das ações indicará a chave para o futuro de seus preços. Mas a verdade é que não podemos prever o futuro: o autor ainda é enfático ao afirmar que “tentar fazer uma previsão é perda de tempo”.

Muitas vezes, é bastante difícil identificar investidores e especuladores sem fazer uma análise profunda de seu comportamento. Não é raro encontrar muitos “investidores profissionais” que performam como especuladores, obtendo retornos de curto prazo com base na previsão das flutuações do mercado.

Portanto, os investidores têm uma chance razoável de atingir o sucesso no longo prazo, ao passo que os especuladores, por outro lado, têm maior propensão de perder dinheiro ao longo do tempo

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