Nos últimos meses, em razão de vários fatores – entre eles a pandemia da Covid-19 e a queda da taxa Selic –, temos percebido um forte aumento no número de pessoas físicas na bolsa.
No
último boletim divulgado pela B3, referente ao mês de setembro, mais de 3
milhões de CPFs estavam na bolsa de valores. Esse valor é quase o dobro do 1,68
milhão que havia no fim do ano passado e seis vezes maior que os 500 mil de
2017.
O fato é que, desses 3 milhões
atuais, uma parcela é de investidores; outra, de especuladores. No livro Margin
of Safety, do grande investidor Seth Klarman, o autor aponta que o
primeiro passo para alcançar o sucesso nos investimentos é entender a diferença
entre essas duas categorias.
Nesse
sentido, os investidores seriam aqueles que acreditam que as ações são uma
fração de uma companhia, um “pedaço do negócio”, enquanto os títulos
representariam empréstimos a essas empresas. Dessa maneira, investidores tomam
decisões de compra e venda de ações com base no preço em que a companhia é
negociada em comparação com sua percepção de valor dela.
Além
disso, os investidores compram ações quando acreditam que elas podem oferecer
um retorno razoável a partir de certo risco incorrido – e as vendem quando o
risco não vale mais a pena.
Uma
característica muito importante dos investidores é acreditar que, no longo
prazo, o preço das ações tende a refletir o desempenho, nos aspectos
fundamentais, das companhias. Ou seja, a performance de receitas, lucros e
rentabilidade ditaria o preço das ações da empresa.
Do
outro lado, temos os especuladores. Ao contrário dos investidores, eles pautam
sua decisão na previsão de queda ou subida no preço das ações com base no
comportamento do mercado. Por isso, segundo Klarman, os especuladores detêm
ações como um mero pedaço de papel que pode ser trocado, sendo indiferentes aos
aspectos fundamentais do investimento.
Dessa
forma, os especuladores são obcecados por previsões da direção do preço das
ações, de modo que muitos deles recorrem à análise técnica, que utiliza as
flutuações passadas da ação como guia.
De
acordo com Klarman, a análise técnica pressupõe que a performance passada das
ações indicará a chave para o futuro de seus preços. Mas a verdade é que não
podemos prever o futuro: o autor ainda é enfático ao afirmar que “tentar fazer
uma previsão é perda de tempo”.
Muitas
vezes, é bastante difícil identificar investidores e especuladores sem fazer
uma análise profunda de seu comportamento. Não é raro encontrar muitos
“investidores profissionais” que performam como especuladores, obtendo retornos
de curto prazo com base na previsão das flutuações do mercado.
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