quarta-feira, 30 de setembro de 2020

O homem pobre e o homem rico Regras

 Regra número 1: Não perca dinheiro

Isso pode parecer ingênuo, mas acredite, não é. 

Se você quer ser rico, não deve perder dinheiro — ou, devo dizer, não deve perder muito dinheiro. 

Parece uma regra absurda, boba? Talvez, mas a maioria das pessoas perde dinheiro em investimentos desastrosos, em consumo supérfluo, em negócios insensatos, em ganância desmedida e até mesmo por terem um timing ruim. 

Depois de quase cinco décadas investindo e conversando com investidores, posso assegurar que, de fato, a maioria das pessoas definitivamente perde dinheiro, e muito – com ações, com opções, com o mercado de futuros, em imóveis, em empréstimos ruins, em jogatina, em apostas, em esquemas de pirâmides e em seus próprios negócios.

Regra número 2: Homem rico, homem pobre 

No mundo dos investimentos, o investidor rico tem uma grande vantagem sobre o pequeno, sobre o amador da bolsa, e sobre o trader neófito. A vantagem de que o investidor rico desfruta é que ele não precisa dos mercados

A diferença que isso faz, tanto na atitude mental quanto na maneira como alguém lida com o dinheiro, é avassaladora. 

O investidor rico não precisa dos mercados porque ele já tem toda a renda de que precisa. Ele tem dinheiro entrando através de seus títulos (públicos e privados), fundos multimercado e de ações e imóveis. Em outras palavras, o investidor rico nunca se sente pressionado a "ganhar dinheiro" no mercado. 

O investidor rico tende a ser um especialista em valores. Quando os preços dos títulos estão baratos e os juros que eles pagam estão irresistivelmente altos, ele compra títulos. Quando as ações estão uma barganha e seus dividendos, atrativos, ele compra ações. Quando ele visualiza que haverá grande demanda por imóveis, ele compra imóveis. Quando obras de arte, joias finas ou ouro estão a preços de oferta, ele compra arte, diamantes ou ouro. Em outras palavras, o investidor rico coloca seu dinheiro onde estão os grandes valores.

E se nenhum ativo estiver disponível a valores atraentes, o investidor rico espera. Ele pode se dar ao luxo de esperar. Ele tem renda passiva entrando diariamente, semanalmente, mensalmente. O investidor rico sabe o que está procurando, e não se importa em esperar meses ou até anos pelo próximo investimento (eles chamam isso de 'paciência').

Mas e o pequeno investidor? Este cidadão sempre se sente pressionado a "ganhar dinheiro". E, consequentemente, ele está sempre pressionando o mercado a "fazer algo" por ele. Mas, infelizmente, o mercado não está interessado. Quando este sardinha (que é o oposto do tubarão) não está comprando ações que oferecem rentabilidades de 1% ou 2%, ele está comprando títulos de capitalização, bilhetes de loteria ou, onde permitido, perdendo dinheiro em cassinos. Ou então está "investindo" em algum esquema de pirâmide de "retorno alto e garantido" sobre o qual seu vizinho lhe falou (com a maior confidencialidade, é claro). 

E dado que este sardinha está tentando forçar o mercado a fazer algo por ele, é garantido que ele vai perder. Como o cidadão não entende nada sobre quais são os valores corretos de cada ativo, ele constantemente paga caro. Ele está sempre comprando caro. E ruim. Ele não compreende o poder dos juros compostos. Ele não entende de dinheiro. Ele nunca ouviu o ditado: "Quem entende de juros ganha juros. Quem não entende de juros paga juros". Ele é o cidadão médio típico, e está afundando em dívidas.

Como resultado, ele está sempre suando – suando para pagar as prestações da geladeira, do carro, da televisão e, é claro, da casa própria (ele não admite morar de aluguel). Ele é impaciente e se sente perpetuamente explorado. Ele diz a si mesmo que precisa ganhar dinheiro, e rápido. E então ele se entrega a essas promessas de "ganhos rápidos, fáceis e garantidos" [nos dias de hoje, essas promessas são feitas por traders de YouTube]. 

No final, o sardinha perde seu dinheiro no mercado ou em esquemas fraudulentos. Em suma, esse "nerd do dinheiro" passa a vida tentando subir por uma escada rolante que desce.

Mas aqui está a parte irônica de tudo. Se, desde o início, este cidadão tivesse adotado uma política estrita de jamais gastar mais do que ganha, e se ele tivesse pegado essa poupança extra, investido em títulos geradores de renda, e usufruído dos juros compostos, então, com o tempo, ele passaria a receber dinheiro diariamente, semanalmente, mensalmente, assim como o homem rico. 

O rapaz teria se tornado um vencedor financeiro, em vez de um derrotado patético.

Regra número 3: valores

O único momento em que o investidor médio deve se afastar do sistema básico de juros compostos é quando um determinado mercado oferece um valor excepcional. 

Considero que um investimento é de grande valor quando oferece (a) segurança; (b) um retorno atraente; e (c) uma boa chance de se valorizar em termos de preço. 

Em todos os outros momentos, o método dos juros compostos é mais seguro e provavelmente muito mais lucrativo, pelo menos no longo prazo.

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